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Impago de Renda — O Que Fazer nos Primeiros 30 Dias


Impago de Renda — O Que Fazer nos Primeiros 30 Dias

A renda não entrou na conta. O inquilino não atende o telefone. Está a perder dinheiro a cada dia que passa — e um erro agora pode custar-lhe mais tarde. Respire fundo. Aqui está exactamente o que fazer, dia a dia, nas primeiras quatro semanas.

O essencial em 30 segundos
  • O senhorio pode começar por um contacto informal e deve conservar prova das comunicações relevantes.
  • Se não houver resposta em 24 a 48 horas, envie de imediato uma carta de aviso registada com AR, com um prazo concreto para a regularização, sem o confundir com os prazos legais contados do início da mora.
  • A resolução do contrato por falta de pagamento só é possível com rendas em atraso há 3 meses ou mais, ou com atrasos superiores a 8 dias mais de 4 vezes em 12 meses (artigo 1083.º, n.º 3 e 4, do Código Civil); só então a resolução abre caminho ao PED no BAS.
  • Nunca mude fechaduras, corte serviços ou remova bens do inquilino — são atos ilegais que prejudicam o processo.

Dia 1: Contacto informal

O senhorio pode começar por um contacto rápido e informal (e deve conservar prova das comunicações relevantes): mensagem de texto, WhatsApp ou email simples. Algo como:

‘Bom dia [Nome], a renda de [mês] ainda não entrou. Pode confirmar se está tudo bem? Obrigado.’

Porquê começar informalmente? Porque às vezes é simplesmente um esquecimento genuíno, um problema técnico na transferência, ou uma dificuldade momentânea que se resolve em horas. Se o inquilino responder e pagar, poupa-se todo o processo formal.

Importante: se o inquilino não responder em 24 a 48 horas, ou se pedir um prazo sem se comprometer com uma data concreta, passe imediatamente ao passo seguinte. Não perca mais de 2 a 3 dias nesta fase.

Dia 3–5: Carta Formal de Aviso (Modelo Incluído)

Esta carta é fortemente recomendada: é a prova de que interpelou o inquilino para pagar. Para avançar mais tarde com o PED, o que a lei exige é a resolução do contrato comunicada nos termos do artigo 9.º, n.º 7, do NRAU, o contrato e o comprovativo do imposto do selo pago.

O que deve incluir a carta:

  • Data e identificação completa das partes (nome, morada, NIF)
  • Referência ao contrato de arrendamento (data de assinatura, artigo matricial)
  • Montante em atraso (valor da renda e mês a que respeita)
  • Prazo concreto para a regularização, sem o confundir com os prazos legais contados do início da mora
  • Aviso de que, em caso de não pagamento, serão tomadas as medidas legais previstas no NRAU

Como enviar: por correio registado com aviso de receção (AR). Guarde o talão postal e o AR quando chegar — são a prova de que a carta foi enviada e recebida. Não envie apenas por email (pode ser contestado).

Dica Aluseg: se utilizar a plataforma AluSeg, pode gerar esta carta automaticamente e enviá-la com confirmação digital registada.

Carta de Resolução do Contrato: quando a lei a permite

Não basta ter passado o prazo indicado na carta de aviso. A resolução por falta de pagamento pode fundar-se em mora igual ou superior a três meses (art. 1083.º, n.º 3, do Código Civil) ou nos atrasos repetidos previstos no art. 1083.º, n.º 4, ou seja, quando o inquilino se atrasar mais de oito dias no pagamento, por mais de quatro vezes, seguidas ou interpoladas, num período de 12 meses (observada a informação exigida pelo n.º 6). Até lá, mantenha os avisos escritos e o registo de cada atraso; só quando uma destas situações se verificar é altura de dar o passo seguinte: a carta de resolução do contrato.

O que significa: a carta de resolução é a notificação formal de que considera o contrato resolvido por incumprimento do inquilino, e que, salvo prazo diferente acordado ou fixado judicialmente, torna a desocupação exigível após um mês contado da resolução.

Base legal:

O artigo 1083.º do Código Civil permite ao senhorio resolver o contrato por falta de pagamento de renda, nas situações descritas acima. A resolução deve ser comunicada ao inquilino por escrito — e é esta carta que constitui essa comunicação formal.

Como enviar: ao contrário da carta de aviso, a comunicação da resolução por falta de pagamento só vale numa das formas do artigo 9.º, n.º 7, do NRAU: notificação avulsa, contacto pessoal de advogado, solicitador ou agente de execução, ou, se o contrato foi celebrado por escrito com domicílio convencionado, escrito assinado enviado por carta registada com aviso de receção. Fora deste último caso, uma carta registada simples não basta. Guarde tudo: esta comunicação é o documento que vai anexar ao pedido de PED no BAS. A Aluseg trabalha com um advogado parceiro que pode fazer esta comunicação por si — peça-nos o contacto em hello@aluseg.com.

Semana 3–4: Consulta Jurídica

Se o inquilino não pagou, não respondeu ou respondeu mas não cumpriu, é altura de consultar um advogado ou solicitador especializado em arrendamento (encontre um advogado de arrendamento na sua região) — especialmente se:

  • O inquilino se opõe à resolução do contrato e reclama que tem razão
  • O inquilino pode beneficiar de proteções especiais (vulnerável, deficiente, idoso)
  • Há dúvidas sobre a validade do contrato ou do seu registo na AT
  • O inquilino fez obras não autorizadas ou causou danos significativos

Uma consulta jurídica nesta fase pode ajudar a evitar erros procedimentais.

Numa agência com muitas rendas, o acompanhamento dos atrasos pode ser feito num programa de gestão de rendas para agências, com o próximo passo, o prazo e a cronologia de cada caso.

Próximos Passos: PED ou Seguro?

Se o contrato tiver cessado validamente e o arrendatário não desocupar o imóvel na data devida, o senhorio pode verificar se estão reunidos os requisitos do Procedimento Especial de Despejo (PED) no Balcão do Arrendatário e do Senhorio (BAS). Consulte o nosso guia completo sobre o PED para saber como fazê-lo passo a passo.

Se tem seguro de rendas: a participação do sinistro à seguradora segue os termos da apólice; confirme-os, idealmente antes de enviar a carta de resolução, para que o processo fique sincronizado.

Dica Aluseg: junte à participação os recibos, o historial de pagamentos e a carta de interpelação. Pergunte à seguradora o prazo do primeiro pagamento: varia de apólice para apólice.

O que não fazer (em nenhuma circunstância):

  • Não mude fechaduras, não corte serviços (eletricidade, água ou gás) e não retire bens por iniciativa própria. Estes atos podem gerar responsabilidade civil e, conforme os factos, responsabilidade criminal.
  • Documente por escrito cada pagamento parcial e a renda a que se refere. Receber rendas posteriores não o priva do direito à resolução (art. 1041.º, n.º 4, do Código Civil), mas reduz a dívida e pode alterar a contagem dos três meses.

Próximo passo

Saiba sempre qual é o próximo passo com cada renda em atraso

A Aluseg abre um caso por cada contrato com rendas por pagar, recomenda o próximo passo com o respetivo prazo e junta cartas, envios e pagamentos numa única cronologia.

Sem cartão de crédito.

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